25/01/2021 15h04

Brusque e Chapecoense firmam-se como as novas caras do futebol de Santa Catarina

Com acessos de divisão no Campeonato Brasileiro e finalistas do último Estadual, clubes representam o que houve de melhor no futebol catarinense na temporada de 2020

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Meia Thiago Alagoano (E) e atacante Edu (D) são dois dos personagens principais em campo, das recentes conquistas do Brusque (Foto: Lucas Gabriel Cardoso, Brusque FC , Divulgação, BD, 24/02/2020)

Meia Thiago Alagoano (E) e atacante Edu (D) são dois dos personagens principais em campo, das recentes conquistas do Brusque (Foto: Lucas Gabriel Cardoso, Brusque FC , Divulgação, BD, 24/02/2020)

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Brusque e Chapecoense são as novas caras do futebol de Santa Catarina. Representam o que houve de melhor na temporada 2020. Com acessos de divisão no Campeonato Brasileiro, finalistas do último Campeonato Catarinense, os dois clubes e, importante ressaltar, as duas cidades e até regiões, comemoram neste momento os feitos das equipes nos cenários estadual e nacional.

 

O Brusque é a grande novidade. Com saltos expressivos nas últimas duas temporadas, vem surpreendendo rivais locais e nacionais. Campeão da Série D do Brasileiro em 2019, da Recopa Catarinense em 2020, finalista do complicado Estadual do último ano, melhor catarinense na Copa do Brasil de 2020, o Brusque não se acomodou. Quis mais e deu um passo gigantesco, alcançando o acesso à Série B do Brasileiro para a temporada 2021, prevista para começar em maio.

 

Líder em todo este processo de transformação do clube, o presidente Danilo Rezini, sabe o esforço que foi feito para que o clube Brusque chegasse a este momento: 

 

“Estamos há alguns anos lutando por isso. Sempre buscando aperfeiçoamento. Com muito trabalho, humildade, dedicação e paixão pelo clube”. 

 

Nas finanças, pela primeira vez o Brusque vai ter um orçamento anual que vai partir de R$ 6 a R$ 7 milhões, que é o valor aproximado da cota de televisão da segunda divisão nacional. Sem contar outras receitas, já é um valor quase duas vezes maior que tudo que entrou no último ano, que já foi extraordinário. As receitas de 2020 foram alavancadas pela ótima participação na Copa do Brasil, com a chegada à quarta fase da competição. 

 

O Brusque recebeu ao todo, com premiações, patrocinadores, sócios e cotas de tv, em torno de pouco mais R$ 4 milhões. Só da Copa do Brasil foram quase R$ 2,5 milhões. É uma mudança significativa que vem ocorrendo nas finanças do clube e que vai exigir ainda mais planejamento e responsabilidade. 

 

– Preparados nós ainda não estamos. A expectativa da torcida e da imprensa vai ser ainda maior. Nossa responsabilidade aumenta muito. Vamos ter toda uma reestruturação, passando pelo Departamento de Futebol e outros setores também. Vamos nos preparar. Tenho certeza que do mesmo modo que fizemos o Brusque crescer até agora, vamos seguir fazendo – projeta Rezini.

 

O presidente já tem clara a meta e o grande desafio para 2021: permanecer entre os 40 principais clubes de futebol do país.

 

– Vamos ter que reforçar a equipe com jogadores acostumados à Série B. Com investimentos um pouquinho maiores, fruto das nossas conquistas. Na pior das hipóteses, temos que nos manter na Série B. Sei que é muito complicado contra equipes grandes e fortes, com estruturas gigantes, camisas pesadas, mas, já que chegamos, temos que mostrar a nossa força”.

 

Segundo Rezini, os resultados conquistados já propiciaram ao Brusque a renovação dos contratos com os patrocinadores, que seguem acreditando e apostando no projeto. Mas há um passo complicado que precisa ser dado, que é a construção do novo estádio, uma conversa que já vem sendo feita desde 2019, quando o clube conquistou a Série D nacional. O regulamento da segundona nacional prevê capacidade mínima de 10 mil espectadores sentados. 

 

– Não há nada definido ainda. Está tudo no campo das especulações. Mas já estamos em conversas com parceiros e com o poder público para tornar o projeto da Arena uma realidade. Um estádio com conforto para torcedores e para a imprensa, que atenda as exigências mínimas de capacidade para a disputa da Série B – assegura o presidente do Brusque.

 

A volta por cima da Chapecoense

 

A Chapecoense não é mais uma cara nova, muito menos novidade. Só que numa análise que vá mais distante no tempo, a Chape passou a ser uma das “donas do futebol Catarinense” há muito pouco tempo. Chegou firme a partir de 2011 e 2012 e foi estabelecendo aos poucos um período de hegemonia. 

 

Na última década, foram quatro títulos estaduais e mais três vice-campeonatos. Nas últimas cinco finais de Catarinense o Verdão do Oeste esteve lá. E foram seis anos seguidos na elite do futebol nacional. Foi o clube do Estado que mais esteve na Série A nos últimos 10 anos.

 

Ao final de 2019 a Chapecoense tomou pancadas fortes. Nos âmbitos esportivo e financeiro. A queda para a Série B do Brasileiro trazia um horizonte de muitas incertezas. A redução das receitas, de, no mínimo, R$ 40 milhões para casa dos R$ 6 a R$ 7 milhões veio acompanhada de uma dívida gigantesca, acumulada com má gestão nas temporadas de 2018 e 2019. O rombo financeiro passava da casa dos R$ 55 milhões. 

 

O trabalho que estava imposto era o de reconstruir o clube. Mais uma vez. Algo já provado pelo clube após a tragédia do final de 2016. O motivo em 2020 era bem diferente, mas também desafiador. E foi cumprido! Sob a liderança do presidente Paulo Magro, o Verdão do Oeste fez um trabalho com os pés no chão, orçamento curto e voltando a apostar em jogadores que queriam crescer e se desenvolver na carreira.

 

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Elenco e dirigentes da Chapecoense celebram o retorno a Série A do Brasileiro, após vitória sobre o Figueirense no último dia 12, na Arena Condá (Foto: Dinho Zanotto, Folhapress)

Em 2020, a Chape foi campeã catarinense e garantiu a volta à elite nacional, além de seguir na luta pelo título da Série B nas últimas rodadas da competição. Magro se foi em dezembro, vítima da Covid-19 em Santa Catarina. Mas deixou a marca dele, recolocando a Chape nos trilhos. O vice de Futebol, Mano Dal Piva, garante que a diretoria não vai se deslumbrar novamente, mesmo com o orçamento bem maior mais uma vez: 

 

– Não prometemos grandes nomes e sim atletas que possuem o DNA da Chapecoense, em ascensão no mercado e, que muitas vezes, não são aproveitados nos clubes que atuam. Vamos honrar os ensinamentos do nosso querido presidente Paulo Magro, que falava: “Temos que ter um time de acordo do tamanho da Chapecoense”. Os próximos passos daremos de acordo com o nosso caminhar – afirma Dal Piva. 

 

O diretor sabe muito bem o que representa para clube e região a volta à primeira divisão nacional:

 

“O retorno para a Série A do Campeonato Brasileiro é uma conquista de grandes proporções e possui inúmeros pontos positivos não só para a Chapecoense, mas também para Chapecó e região. Estamos fazendo um planejamento seguindo a receita da cautela, pés no chão e sem sair da realidade que a Chape vive. Foi isso que deu certo antes e o que deu certo este último ano”.

 

Gangorra entre tradicionais e emergentes

 

No futebol brasileiro não há uma organização coletiva que faça os clubes sustentáveis. Cada caso é um caso e, normalmente, os times vivem uma gangorra financeira. O consultor Amir Somoggi, diretor da Sports Value, empresa especializada em marketing esportivo fez recentemente um estudo do futebol catarinense a pedido da direção do Figueirense.

 

Somoggi revela que “o Figueirense era a maior marca” há alguns anos. Mas diz que hoje “a Chapecoense é muito maior que o Figueirense”. Ele analisa que isso faz parte da realidade de gangorra, em que emergentes que têm boas práticas ocupam o lugar de equipes mais tradicionais. E que o futebol brasileiro atravessa um período em que esta troca está latente. 

 

– O Brusque está nessa leva de emergentes e vai bater de frente com equipes tradicionais na Série B… um Cruzeiro, um Botafogo. Tem espaço. Pela primeira vez, vai ter um orçamento de R$ 7 milhões. O caminho é aplicar bem este dinheiro, ficar no 0 a 0, sem fazer dívidas. O modelo é pagar em dia. Mas normalmente os clubes não suportam. Não é sustentável – avalia o especialista. 

 

Marca internacional

 

Somoggi cita o exemplo da própria Chapecoense, que em 2017 começou o ano com uma dívida mínima de R$ 1 milhão e hoje está com 90 milhões de déficit contábil. Para ele, a Chape está junto em uma lista de emergentes que ainda tem o Ceará e o Fortaleza. Mas na avaliação do especialista, a Chape não aproveitou e não tem conseguido aproveitar o fato ser um clube com alcance internacional, em função da repercussão que ganhou após a tragédia de 2016.

 

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Em 2017, a Chapecoense disputou um torneio amistoso contra o Barcelona de Messi, Suárez e Iniesta, no Camp Nou, no momento de reconstrução do clube, após o acidente aéreo em novembro de 2016 (Foto: Juan Barbosa, AFP, BD, 07/08/2017)

De acordo com números atuais do Ibope/Repucom, a Chape é a 11ª do país nas redes sociais, juntando todas elas. A frente de clubes como Fluminense e Botafogo. E muito a frente do segundo catarinense, que é o Figueirense, que está em 23º lugar neste ranking, numa proporção de cinco pra um. 

 

– A Chape não aproveita o fato de ser um time internacional. Era para ter faturamento chegando à casa dos R$ 150 milhões, com patrocinadores internacionais também. Hoje em dia os clubes precisam ir além do negócio. Não dá pra ser somente futebol. É preciso dar entretenimento. O consumidor mudou. Muitos não querem mais ficar 90 minutos assistindo aos jogos. Você concorre com uma série empacotada com 10 episódios de 40 a 50 minutos – pondera Somoggi.


POR: RAPAHEL FARACO – DIÁRIO CATARINENSE / NSC

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