Rui Car
23/06/2022 11h26

CPI da Chape: reunião no Senado é adiada para próxima semana após seguradoras não comparecerem

Ausência dos depoimentos atrasa finalização do inquérito que analisa tragédia aérea de 2016

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Foto: Geraldo Magela / Agência Senado

Foto: Geraldo Magela / Agência Senado

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A reunião da CPI da Chapecoense no Senado, marcada para a tarde desta quarta-feira, foi adiada. O motivo é a ausência da resseguradora Tokio Marine Klin e da corretora de seguros AON, da Inglaterra. A espera pelos depoimentos das duas empresas atrasou a finalização do inquérito que analisa as causas da tragédia aérea na Colômbia.

 

ge entrou em contato com Fabienne Belle, presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo da Chapecoense (AFAV-C) e, de acordo com ela, as empresas recusaram a convocação feita pelo Senado. Além disso, afirmaram que irão se pronunciar somente nos autos dos processos que tramitam em Londres (Inglaterra) e Miami (EUA).

 

Convocação para depor

 

A AON será representada pela primeira vez na Comissão. O corretor Simon Kaye foi convocado em requerimento pelos senadores Jorge Kajuru, Esperidião Amim e Leila Barros. No documento, os parlamentares apontam os e-mails trocados entre o corretor e Loredana Albacete, proprietária da LaMia.

 

O conteúdo das mensagens tratava sobre a redução de 300 milhões de dólares para 25 milhões de dólares das apólices pagas em caso de acidentes aéreos. A extinta companhia da Bolívia teve a autorização de operação suspensa e o certificado de explorador de serviços aéreos cassado em decorrência da tragédia.

 

A Tokio Marine já foi ouvida outras vezes pela comissão, como em fevereiro deste ano, quando o presidente da seguradora no Brasil, José Adalberto Ferrara, depôs defendendo que a representante brasileira não teve ligação com o contrato assinado entre a LaMia e a Tokio Marine Britânica.

 

CPI da Chapecoense

 

A previsão inicial de término da CPI era em maio, mas, para ouvir as seguradoras, o processo foi adiado para 11 de julho. No fim do mês passado, o Senado divulgou o relatório final e concluiu que cinco empresas são responsáveis pela indenização às famílias das vítimas da tragédia aérea:

 

 – LaMia Corporation, sediada na Bolívia;

 

 – Bisa Seguros, também boliviana, com quem a LaMia contratou seguro;

 

 – Tokio Marine Kiln Limited, sediada no Reino Unido, com quem a Bisa contratou resseguro;

 

 – Aon UK e Grupo Estratégica (antiga Aon Bolívia), que funcionaram como representantes da seguradora e da resseguradora e orientadores da LaMia.

 

A Comissão Parlamentar de Inquérito foi aberta em 2019 e analisa as causas do acidente aéreo que matou 71 pessoas em 29 de novembro 2016. Um dos principais temas é o atraso no pagamento da indenização às famílias das vítimas. Em 2020, o processo foi interrompido durante a pandemia de Covid-19.

 

Acidente aconteceu em novembro de 2016 — Foto: ADRIANO VIZONE/FOLHAPRESS

Foto: Adriano Vizone / Folhapress

 

Além de representantes das vítimas, da Chapecoense, da seguradora, da empresa aérea LaMia e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a CPI ouviu também o executivo de finanças da Petrobras, Ricardo Rodriguez Besada Filho, e autoridades da Caixa Econômica Federal.

 

O acidente

 

Em 29 de novembro de 2016, o avião que levava a delegação Chapecoense para a partida de ida da final da Copa Sul-Americana, na Colômbia, caiu nas proximidades de Medellín. A aeronave transportava jogadores, comissão técnica, dirigentes e jornalistas.

 

Em 2018, a Aeronáutica Civil da Colômbia concluiu a investigação e confirmou que o combustível do avião era insuficiente para o voo entre Santa Cruz, na Bolívia, e a Colômbia. O acidente ocorreu por esgotamento de combustível como consequência da falta de gestão de risco apropriada pela Lamia. Sem o combustível, os motores pararam de funcionar, e o avião planou até bater.

 

Fonte: Isabela Corrêa / Globo Esporte SC
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