Rui Car
03/06/2022 16h20 - Atualizado em 03/06/2022 16h21

“Faturamento é menor que a dívida”, diz advogado em reunião sobre recuperação judicial do JEC

Diretoria executiva, conselheiros, sócios, torcedores e advogado participaram de reunião extraordinária

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Foto: Drika Evarini / ND+

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O assunto do momento no JEC é a recuperação judicial solicitada pelo clube à Justiça e que movimentou a cidade. Mais de uma semana depois de vir à tona, uma reunião extraordinária aconteceu na noite de quinta-feira (02) foi realizada para que torcedores, sócios, conselheiros e comunidade pudessem ouvir as explicações da diretoria executiva a respeito do pedido, feito sem consulta e em sigilo.

 

Responsável pela consultoria e pelo pedido, o advogado Felipe Lollato deu explicações técnicas e respondeu às perguntas dos torcedores que participaram do encontro, que aconteceu na Acij. De acordo com ele, a orientação para que o clube não fizesse publicidade sobre os planos e o pedido, foi dada pelo escritório, tendo em vista que o JEC tem mais de 300 credores que poderiam se antecipar e tentar impedir a negociação. Vale ressaltar que após a exposição do pedido, várias ações foram protocoladas a fim de impedir o deferimento do pedido.

 

Por orientação nossa não foi levado aos outros poderes. Não tem outro jeito de fazer. São 300 credores e a partir do momento que você falas, começa uma campanha gigantesca, os credores tentam trucidar o clube. Agora, estamos sendo bombardeados por pedidos de indeferimento”, disse.

 

Lollato ressaltou, ainda, que não há como gerir um clube que não possui movimentação de caixa por bloqueios. Atualmente, segundo ele, a manutenção da dívida do clube é de quase R$ 400 mil.

 

O faturamento é menor do que a manutenção da dívida. Não precisa ser um gênio das finanças para saber que não há outra alternativa. Se você não fizer essa dívida parar de crescer e reorganizá-la, não existe saída. O JEC ia parar, já estava parado. Sem a recuperação judicial caminhamos para a bancarrota. Nada é mais transparente do que um processo de recuperação judicial que além de ter um fiscalizador, todos os números são abertos. É a única forma que o clube tem para reestruturar suas dívidas”, salientou.

 

O advogado reforçou, ainda, que dentro da dívida tributária, em um processo deferido e aprovado de recuperação judicial, pode existir uma redução de aproximadamente 50%, o que poderia reduzir o valor para R$ 10 milhões, com a extensão do prazo em pelo menos 120 vezes.

 

A recuperação judicial cria um valor e um prazo que o clube pode pagar. O problema é enfrentar o passivo de maneira desordenada”, ressaltou.

 

A abertura da reunião foi feita pelo presidente do Conselho Deliberativo, Darthanhan Oliveira, que ressaltou a importância fundamental de se ter transparência dentro do clube.

 

Temos que ter transparência em tudo, principalmente em um ato que pode mudar a história do JEC para os próximos 30 anos. A atitude que aconteceu foi lamentável. Tenho a impressão de que só soubemos por que vazou pela imprensa, ou não saberíamos desse pedido. A recuperação judicial pode sim ser uma saída, mas não temos embasamento para saber se é boa ou não porque ela não foi discutida”, disse.

 

O presidente Charles Fischer alegou que toda a diretoria executiva foi consultada e analisou as opções e o planejamento antes de optar e concretizar o pedido. Ele reforçou, ainda, que o clube respeitou o estatuto e tomou a decisão para evitar a falência do JEC. “Eu fui massacrado seis meses pelo resultado esportivo e eu mereço. Eu assumo a responsabilidade pelos resultados do time, mas não vou deixar o clube ir à falência e se continuasse não teria como continuar”, falou.

 

Torcedor e sócio desde a fundação do clube, Antônio Vilmar Coelho foi ao microfone se manifestar e pediu bom senso de todos os envolvidos. “O JEC é maior do que todos, só peço que todos tenham bom senso e pensem no melhor para o time”, disse. O torcedor foi aplaudido de pé pelos presentes na reunião.

 

Os valores pagos pelo clube à consultoria também foram alvo de questionamento. Segundo Lollato, o JEC pagará 36 parcelas fixas de R$ 14 mil e 6% em caso de êxito. “Não recebi nada até agora porque o clube não tem condição com as contas bloqueadas”, complementou.

 

Atualmente, o pedido de recuperação judicial está sob apreciação do juiz e, em caso de deferimento, o clube terá um prazo fixado pelo magistrado para apresentar o plano de recuperação antes de passar por assembleia para negociação e efetivação.

 

Fonte: Drika Evarini / ND+
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