Rui Car
23/06/2022 10h09

Em 10 anos, Teatro Embaixo da Ponte já recebeu mais de 600 espetáculos em Rio do Sul

Espaço com cerca de 200 lugares recebeu, ao longo de uma década, mais de 25 mil espectadores

Assistência Familiar Alto Vale
Fotos: Arquivo / Unidavi

Fotos: Arquivo / Unidavi

Delta Ativa

Conectar, esse é o principal ofício de uma ponte. Conectar um bairro ao outro, uma cidade a outra ou, até mesmo, países. Mas, existe uma ponte específica em Rio do Sul que é capaz de ligar toda uma população à arte e à cultura.

 

A Ponte Curt Hering, onde está o Espaço Cultural Moysés Boni, conhecido como Teatro Embaixo da Ponte, está localizada no centro da cidade. Desde a década de 1930, a construção é importante para o desenvolvimento regional, mas, a partir de 2012, passou também a ser peça-chave para arte riosulense. A ideia de montar um teatro no local surgiu de iniciativa do Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (Unidavi), após incorporar o terreno de uma empresa. O objetivo era fomentar a arte.

 

 

Willian Sieverdt, diretor da Trip Teatro, um dos grupos com mais apresentações debaixo da ponte, e voluntário do Centro de Pesquisa e Produção de Teatro de Animação (CPPTA), contou sobre a conexão da população de Rio do Sul com o lugar. Ele narra que, nesses dez anos, foram cerca de 600 apresentações de espetáculos dos mais variados, com pessoas de diversos Estados e países.

 

 

Responsável por engajar a cena teatral debaixo da ponte, Sieverdt diz que os espetáculos que atraem centenas de pessoas são, em grande parte, gratuitos. O espaço, com cerca de 200 lugares, recebeu, ao longo de uma década, mais de 25 mil espectadores.

 

A maioria desses eventos recebe auxílio de leis de incentivo à cultura municipais e estaduais. Temos apoio de alguns empresários locais e do Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí, que é quem mantém o parque onde o espaço está inserido, junto a um museu e um Centro de Cultura Indígena“, afirma Sieverdt.

 

Se a gente for pensar no que existe embaixo das pontes pelo mundo, geralmente é desigualdade, sujeira. Ali tem arte“, explica Thiago Becker, fundador de outro grupo teatral da cidade, a Cia Cobaia. “Apresentar-se ali é especial. Como o teatro é pequeno, as pessoas precisam ficar bem próximas e elas recebem o espetáculo de uma forma mais potente.”

 

 

Apesar de chamar a atenção à primeira vista pelo ineditismo do vão de uma ponte como palco, os artistas afirmam que o local é apropriado tecnicamente para receber apresentações diversas. Por contar com uma grossa camada de concreto por cima, bases fortes, e árvores ao redor, a acústica não é comprometida. Os ruídos da cidade pouco interferem nos espetáculos. A iluminação, preparada especialmente para o espaço, é isolada por fechamentos laterais. Debaixo da ponte, há, ainda, camarins e cômodos.

 

Apesar de frequentes problemas na cidade, por conta de enchentes, e a proximidade com um rio, o espaço nunca foi afetado severamente pelas águas. O teatro conta com madeiras nobres em sua estrutura, além de a arquitetura ser versátil e planejada. “Já aconteceu de chegar água, mas a madeira é resistente. Depois que a enchente baixou, após uma caprichada limpeza, e um tempo secando ao sol, estava tudo novo“, recorda Sieverdt.

 

 

Em razão da pandemia, o espaço passou um tempo sem receber visitas. Assim, a ponte que já foi finalista do Prêmio Brasil Criativo na categoria arquitetura, em 2019, teve de, involuntariamente, voltar a servir apenas como caminho de passagem por cima dela.

 

Agora, novos encontros estão planejados, além de o espaço já receber visitas. Para companhias que desejam se apresentar ali, não são cobradas taxas nem aluguel para apresentações, apenas colaboração para a limpeza, por ser um espaço público.

 

Espetáculos estão sendo marcados para os próximos meses. O diretor admite ainda que, por conta das dificuldades e incertezas dos últimos tempos, não conseguiu mobilizar uma programação especial para o aniversário de dez anos do teatro, o que deve ocorrer em breve.

 

Fonte: Uesley Durães / Terra
Anderle Telhas e Acessórios