Rui Car
10/05/2022 09h51

Retrato de Marilyn Monroe pode se tornar obra mais cara do século XX

Serigrafia feita por Andy Warhol pode ser vendida por US$ 200 milhões em leilão

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Foto: Angela Weiss / AFP

Foto: Angela Weiss / AFP

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O retrato “Shot sage blue Marilyn” (1964) é o nome da obra que pode se tornar a mais cara do século XX. Isso acontecerá caso atinja a cifra de US$ 200 milhões no leilão da coleção da Fundação Thomas e Doris Ammann, que vai ser realizado na Christie’s de Nova York.

 

A serigrafia, pintada por Andy Warhol (1928 -1987), tem um pouco mais de um metro quadrado com a Marilyn Monroe pintada em fundo rosa. Ela é nada mais que um produto do fascínio de Warhol pela cultura de massa e a sociedade de consumo dos EUA.

 

O artista foi conhecido por retratar o rosto de diversos ícones e celebridade de uma forma fora do comum, indo de latas de sopa Campbell à astros como Elizabeth Taylor, Elvis Presley e Michael Jackson.

 

Na apresentação do quadro, o especialista em arte dos séculos XX e XXI da Christie’s, Alex Rotter, colocou a tela no mesmo nível do outras obras, como: “Nascimento de Vênus”, de Botticelli, da ‘Mona Lisa’, de Da Vinci, e de ‘Les Demoiselle d’Avignon’, de Picasso.

 

Já o presidente da Bolsa de Arte, Jonas Bergamin, conta que a permanência de Warhol se dá muito pela forma como o artista explorou recurso como as fotos Polaroid e o cinema. “Ele experimentou em todas as mídias do seu tempo e não envelheceu. Warhol sabia buscar este tipo de encantamento pela beleza que é inerente ao ser humano. Sua Marilyn é um exemplo disso, é um dos retratos mais bonitos já pintados”.

 

Apesar de todas essas características das obras de Warhol, há um fator que faz com que a obra de Marilyn se destaque e consequentemente tenha esse valor atribuído a ela. Em 1964, a artista performática Dorothy Podber viu a pilha com quatro serigrafias com o retrato da atriz recém-finalizadas e perguntou a Warhol se poderia fotografá-las.

 

Em inglês o verbo “shoot” pode ser usado tanto para fotografar quanto para atirar. Dorothy sacou uma pistola da bolsa e disparou nas telas, cujos furos foram depois fechados com tinta. O incidente aumentou a mística da série, fazendo com que o particípio “shot” fosse incorporado ao seu título.

 

Segundo, Vik Muniz, um dos principais tributários do pop art no Brasil, o encantamento existente nas obras de Warhol pelo público vem muito das histórias contadas. Para o paulistano, que inclusive chegou a conhecer o artista, a leitura que Warhol fez da sociedade americana do pós-guerra mantém sua obra cada vez mais atual.

 

Ao contrário de artistas anteriores, que tinham influência europeia, ele foi o primeiro a refletir o pensamento puramente americano. A honestidade com que ele se apropriou destes ícones faz com que ele continue tão relevante”.

 

*Com informações de O Globo

 

Fonte: ND+
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